
Matador de Aluguel leva Jake Gyllenhaal ao extremo com ótimo toque de humor
Conor McGregor também estrela o remake do filme dos anos 1980 para o Prime Video

Crítica
“Para esse tipo de trabalho, eu achei que você seria maior”, é o que diz a Dra. Clay (Kelly Lynch) para Dalton (Patrick Swayze) na primeira versão de Matador de Aluguel, lançada em 1989. A mesma coisa, no entanto, não pode ser dita para o personagem de Jake Gyllenhaalno remake do filme, lançado na última quinta-feira (21), no Prime Video.
Cada detalhe do corpo do ator mostra que ele se empenhou na preparação física para o papel de um ex-lutador de UFC com um passado obscuro que é contratado para colocar ordem em um bar de estrada. Nas cenas iniciais do longa, inclusive, Dalton (Gyllenhaal) não aparece em nenhuma luta braçal, apenas sua presença (e o histórico do personagem) já intimida.
Mas é quando o personagem finalmente começa a trabalhar na Taverna que o filme começa a engatar. Chamado para colocar ordem nos homens que constantemente perturbam a paz dos clientes e funcionários, Dalton se vê em um ambiente perfeito para muito sarcasmo e, bem, porradaria.
No sarcasmo do protagonista, Matador de Aluguel encontra um humor ideal para trazer um frescor à nova versão. Os alertas sobre cada um dos machucados que ele vai causar e, até, a pergunta sobre a distância do hospital são toques especiais para aproximar a audiência do longa.
Junte a isso boas sequências de luta, amparadas pela ótima trilha sonora de um bar com música ao vivo, e personagens coadjuvantes extremamente carismáticos – da jovem Charlie (Hannah Love Lanier), que é dona da livraria local e cria um vínculo com o protagonista, até os funcionários do bar que acabam ganhando mais confiança através dos aprendizados de Dalton – e você tem dois primeiros atos extremamente divertidos.
O final do filme, no entanto, perde todo o carisma que construiu até ali. Focado em resolver um intenso caso de corrupção e cadeia de crimes que envolve a pequena ilha, Matador de Aluguel esquece seus personagens coadjuvantes para focar apenas no embate de Dalton e Knox (Conor McGregor), contratado para se livrar do segurança.

McGregor até tem algumas piadas que arrancam risadas, mas suas duas grandes lutas com Gyllenhaal podem levar a especulações de que eles tenham um contrato parecido com os de Vin Diesel e The Rock em Velozes e Furiosos para que um não apanhe mais do que o outro. É tudo equilibrado demais. A trilha sonora vai embora e uma sequência eterna de sangue voando e bombas explodindo continua.
Talvez seja isso o que grande parte do público espere de um filme como este, afinal. Mas Matador de Aluguel provou que tinha, sim, a capacidade de juntar a ação e manter o charme em vez de sacrificar um em detrimento do outro.

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